quarta-feira, 14 de outubro de 2009

GONÇALVES DIAS I JUCA PIRAMA

Tu choraste em presença da morte?/ Na presença de estranhos choraste?/ Não descende o cobarde do forte;/ Pois choraste, meu filho não és!/ Possas tu, descendente maldito/ De uma tribo de nobres guerreiros,/ Implorando cruéis forasteiros,/ Seres presa de vis Aimorés.// Possas tu, isolado na terra,/ Sem arrimo e sem pátria vagando,/ Rejeitado da morte na guerra,/ Rejeitado dos homens na paz,/ Ser das gentes o espectro execrado;/ Não encontres amor nas mulheres,/ Teus amigos, se amigos tiveres,/ Tenham alma inconstante e falaz!// Não encontres doçura no dia,/ Nem as cores da aurora te ameiguem,/ E entre as larvas da noite sombria/ Nunca possas descanso gozar:/ Não encontres um tronco, uma pedra,/ Posta ao sol, posta às chuvas e aos ventos,/ Padecendo os maiores tormentos,/ Onde possas a fronte pousar.// [...] Sê maldito, e sozinho na terra;/ Pois que a tanta vileza chegaste,/ Que em presença da morte choraste,/ Tu, cobarde, meu filho não és.

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