Falar da poesia de Carlos Drummond de Andrade é como discorrer sobre o inefável enigma da invenção. Fiel às suas mineiríssimas matrizes de humor e coloquialismo, à sua cristalina e inconfundível dicção, à sua técnica insólita e exemplar de enumeração caótica dos elementos, à entranhada e intransigente paixão pela língua que lhe instrumenta toda a linguagem - fiel, enfim, a si mesmo, Drummond se debruça, nos poemas deste Amar se Aprende Amando, sobre as coisas miúdas, humílimas até a quase anônimas da multiforme floração cotidiana, encordoando outra vez uma viola que há muito silenciara e confirmando que não é poeta "porque o queira", mas porque, observa Antônio Houaiss, "toda alternativa o perderia de si para si". Aqui se reúnem versos de circunstancias, dirão alguns. Quanto ao poeta, diria apenas que são versos e a consumada arte de fazê-los. O que mais exigir de um poeta?
sábado, 17 de outubro de 2009
CARLOS DRUMOND DE ANDRADE
Falar da poesia de Carlos Drummond de Andrade é como discorrer sobre o inefável enigma da invenção. Fiel às suas mineiríssimas matrizes de humor e coloquialismo, à sua cristalina e inconfundível dicção, à sua técnica insólita e exemplar de enumeração caótica dos elementos, à entranhada e intransigente paixão pela língua que lhe instrumenta toda a linguagem - fiel, enfim, a si mesmo, Drummond se debruça, nos poemas deste Amar se Aprende Amando, sobre as coisas miúdas, humílimas até a quase anônimas da multiforme floração cotidiana, encordoando outra vez uma viola que há muito silenciara e confirmando que não é poeta "porque o queira", mas porque, observa Antônio Houaiss, "toda alternativa o perderia de si para si". Aqui se reúnem versos de circunstancias, dirão alguns. Quanto ao poeta, diria apenas que são versos e a consumada arte de fazê-los. O que mais exigir de um poeta?
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